segunda-feira, 19 de maio de 2014

Disco antológico de Taiguara é lançado em shows no Sesc Belenzinho



Censurado em 1976, o disco “Imyra, Tayra, Ipy”, de Taiguara, foi reeditado em CD recentemente. O álbum, que resume toda a singularidade do cantor e compositor, ganha vida no palco do Sesc Belenzinho por meio de músicos que participaram de sua concepção como Wagner Tiso, Toninho Horta, Jaques Morelenbaum, José Eduardo Nazário, Novelli e Nivaldo Ornelas. Dias 30 e 31 de maio, ingressos já a venda. 


Em tupi-guarani “guara” tem múltiplos significados, talvez o mais conhecido seja o de “pássaro”. É comum também que “guara” faça referência a uma ave que veio de fora, não pertencente à fauna brasileira.  Ave canora de timbre raro, aveludado e ao mesmo cortante, Taiguara Chalar da Silva nasceu na república mais oriental do continente sul-americano, o Uruguai. E nem por isso, foi menos brasileiro.

Filho do bandoneonista e maestro Ubirajara Silva e da cantora de tangos Olga, Taiguara foi criado entre Santa Teresa, no Rio, e a Pauliceia, onde estreou cheio de bossa, em 1964.  Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. E nunca mais se separou dela. Como instrumentista e compositor, esteve lado a lado de outros mestres como César Camargo Mariano, os integrantes do Jongo Trio e Luiz Chaves, do Zimbo Trio. No entanto, tornou-se mais conhecido por suas participações em diversos festivais e programas de TV. E especialmente como intérprete singular, e autor, de vários clássicos da MPB, como “Hoje”, “Universo do Teu Corpo”, “Viagem” e “Que as Crianças Cantem Livres”; entre outros.

Assim como muitos Brasis habitam o Brasil, em Taiguara havia várias moradas. ‘Senhor de si’, soltava a voz em canções poéticas e de grandiosidade orquestral, como Negroide (parceria dele com Maurício Einhorn e Arnaldo Costa), ou em melodias singelas como “Modinha”, de Sérgio Bittencourt. Porém, Taiguara também era o ousado músico, que se valendo de guitarras e órgãos lisérgicos, concebeu discos experimentais como “Carne e Osso” e “Fotografias”. Além disso, era o cantor e letrista politizado que teve 68 músicas censuradas, e sendo assim, um dos compositores mais perseguidos no país.  

No verão do bissexto ano de 1976, após um período de exílio em Londres, Taiguara voltou à aldeia brasilis e se cercou de uma tribo inacreditável de instrumentistas-virtuoses para gerar o seu disco mais ‘carioca, guarani, ameríndio e mais brasileiro’: “Imyra, Tayra, Ipy”. O disco, ‘dedicado ao país da música, ao corpo e à cor da coragem’, contou com a direção musical de Wagner Tiso, arranjos de Hermeto Paschoal e participações de Toninho Horta (guitarra), Nivaldo Ornelas (sax), Zé Eduardo Nazário (bateria), Jaques Morelenbaum (cello) e Novelli (baixo), orquestra e coro, em um total de mais de 70 músicos.

As 14 faixas do álbum são um caleidoscópio de sons, referências, imagens e raças. Todas as composições são de Taiguara, exceto “Três Pontas”, de Ronaldo Bastos e Milton Nascimento. No emblemático disco há espaço para música sinfônica (“Pianice”), experimentalismo (“Delírio Transatlântico e Chegada no Rio”) e a crítica (“Público”). Também cabem a bossa (“Terra das Palmeiras”), a latinidade (“Como Em Guernica”) e o protesto velado (“Situação”). Sem deixar de lado, o samba (“Samba das Cinco”) e até mesmo uma marchinha (“Primeira Bateria”). Mas, sem dúvida, a peça central do álbum é “Sete Cenas de Imyra”, uma odisseia musical em que forças ancestrais indígenas se confrontam com um multifacetado dominador rumo ‘ao futuro esquecido’.

Infelizmente, quis a história que o maisambicioso – e visionário – álbum de Taiguara, chagasse às lojas e fosse apreendido e desaparecesse, em 72 horas, em desprezível ação da ditadura militar. Porém, para nossa sorte, o Brasil não perdeu um de seus melhores álbuns dos anos 70, quiçá, de toda sua história. Após ser lançado no Japão, em 2002, “Imyra, Tayra, Ipy” foi relançado no Brasil pela Kuarup/Sony, em 2013. E agora, está prestes a cumprir mais uma etapa de seu destino: ser apresentado, ao vivo, para o grande público.

Selando o tom premonitório do próprio Taiguara, que agradece no encarte do álbum “A cada um em sua tarefa, a gratidão do futuro”, seus aliados musicais se juntam para duas apresentações de lançamento de “Imyra, Tayra, Ipy”, nos dias 30 e 31/05, no Sesc Belenzinho. Wagner Tiso, Toninho Horta, Jaques Morelenbaum, Nivaldo Ornelas, Novelli e Zé Eduardo Nazário se reúnem especialmente para apresentar o universo poético-sonoro de Taiguara. Os shows vão contar ainda com as participações especiais do acordeonista Toninho Ferragutti e as vozes de Joana Duah e Bruno Morais.

Nesses dois dias, o público que comparecer ao Sesc Belenzinho vai poder se emocionar com melodias e letras de “Imyra, Tayra, Ipy” e comprovar que a genialidade musical de Taiguara não se desgastou com o tempo, nem se perdeu no emaranhado da história. Já que seu lirismo dialoga com nossa ancestralidade miscigenada e com o cotidiano de sonhos e certezas de todo aquele que habita (e habitou) a nossa terra, dos idos de Pindorama e muito além dos tempos da Santa Cruz.


SHOW – ÁLBUM IMYRA, TAYRA, IPY
Dias 30 e 31/05/2014. Sexta e sábado, às 21h
Teatro
(392 lugares – acesso para pessoas com deficiência).      
Duração: 1h30.
Não recomendado para menores de 12 anos.
Ingressos à venda pelo Portal Sesc SP (www.sescsp.org.br), a partir de 19/05/2014, às 15h30, e nas unidades a partir de 21/05/2014, às 17h30.

R$ 35,00 (inteira); R$ 17,50 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 7,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)

Sesc Belenzinho
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700
www.sescsp.org.br/belenzinho

Estacionamento
Para espetáculos com venda de ingressos:
R$ 6,00 (não matriculado);
R$ 3,00 (matriculado no SESC - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo /usuário).

Produção Executiva: Guria Arte & Cultura

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Assessoria de Comunicação:
Alexandra Swerts
 F: 11 99102 6561


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