sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Dave Holland no Brasil


Baixista inglês vem ao Brasil pela terceira vez com seu quinteto para três apresentações.


Dave Holland e seu contrabaixo: tradição e inovação no jazz 


Dave Holland é herdeiro da mais alta linhagem do jazz e sua relação com a música começou cedo na vida desse garoto inglês. Aos quatro anos já tocava ukulele, aos dez tentou a guitarra e aos 13 anos encontrou ressonância no baixo. Seguiu seu aprendizado com aulas de piano, estudando partituras e ouvindo músicas no rádio. Reuniu os amigos para formar um pequeno grupo e se apresentar na noite londrina. Aos 15 anos deixou a escola para viver de música,  tocando na noite e assim poder ouvir de perto músicos de verdade.

Começou tocando contrabaixo em clubes de jazz que Dave Holland e subiu ao palco com músicos como John Shurman, John McLaughlin, Parker Evan, Kenny Wheeler, John Taylor, Chris MacGregor e Sam Rivers, seu mentor. O encontro com Miles Davis aconteceu em julho de 1968, quando Dave tocava no Ronnie Scott Jazz Club, no Soho, abrindo o show de Bill Evans. "Naquele momento Miles percebeu algo no som de Dave e em suas ideias musicais, algo que lhe chamou a atenção" relembra Jack De Johnnete, na época baterista de Bill Evans. 

Esta noite marcou a primeira de muitas viradas na carreira do contrabaixista. Um mês mais tarde Dave Holland estreou na banda de Miles em apresentação no clube de Countie Basie no Harlen, Nova Iorque. Miles lhe deu abertura para encontrar seu próprio espaço, uma tarefa difícil, mas uma indicação decisiva, que lhe mostrou toda a comunhão que músicos livres podem ter. A partir dai, Dave se estabeleceu nos Estados Unidos e começou a lapidar sua trajetória.

Um trecho de um poema sufi – “plante seu mastro firme na areia do deserto” – deu a Dave outra pista: o fortalecimento das suas próprias criações, focando em busca da sua própria expressão musical  fortemente baseada na tradição do jazz mas, mas que soava de uma maneira mais ampla diante da sua própria diversidade. Os anos de 1970 foram prolíficos para Dave Holland em participações e parcerias. Formou o grupo Circle com Anthony Braxton, Chick Corea e Barry Altschul e convidou Sam Rivers para participar do histórico ConferenceOf The Birds. Nas décadas seguintes Dave foi presença marcante nos trabalhos de Stan Getz, Herbie Hancock, Cassandra Wilson, Joe Lovano, Joe Henderson, entre outros, circulando por um amplo e rico espectro musical.

A partir de 1990, Dave consolidou sua imagem como um dos mais importantes e criativos músicos de jazz. Visionário, Dave Holland sempre alimentou o espírito colaborativo entre músicos com os quais tem parceria constante e se apresenta em formações diversas. Criou sua própria gravadora a Dare2, depois de um longo relacionamento com o selo ECMRecords, e deu vazão plena a todas as sua criações e corou os cinquenta anos de estrada. 

Dave Holland faz uma mini turnê latino americana. O Quinteto chega ao Brasil para uma apresentação no Festival Canoas Jazz Mercosul e duas em São Paulo, no SESC Belenzinho e  depois segue para o Chile. 

Veja a programação de São Paulo no site do SESC.  


Quinteto Dave Holland no Brasil


Dave Holland ao centro e seu quinteto fantástico, trinta anos de estrada

Esta é a terceira vez que Dave Holland vem ao Brasil, e a segunda com o Quinteto.  A primeira foi a participação do Quinteto no Festival de Jazz de Outro Preto em setembro de 2006, e a segunda com o Overtone Quartet para Bridstone Music Festival em maio de 2010.

Agora o Quinteto volta ao Brasil para uma apresentação em Canoas (RS), 25/11, no Festival Canoas JazzMercosul e duas apresentações em São Paulo, dias 27 e 28/11,  no SESC Belenzinho.

O quinteto Dave Holland é o seu grupo regular, formado em 1983, que conta com o vibrafonista SteveNelson, o saxofonista tenor Chris Potter, o trombonista Robin Eubanks e o baterista Nate Smith.  “No quinteto nós estamos interessados em ter uma ampla abertura de contexto para que a música simplesmente aconteça. Quando eu ouço um músico eu procuro alguém que cubra uma variedade de abordagens e improvisações, equilíbrio entre composição e improviso, e que se ajuste na composição para o tema possa ter diferentes apresentações.

Ter um vibrafone no grupo foi algo intuitivo. “A abordagem de Steve pode ser muito espacial algumas vezes,” explica Holland,  “ele sabe quando se soltar e quando tocar. Muitos me perguntam como eu escolhi vibrafones para o quinteto e a resposta é Steve Nelson".

O trombone de Robin Eubanks, também surpreende. Ele fazia algumas apresentações com a Mingus Big Band, e passou a integrar o grupo de Holland em meados dos anos 1980. “Ele consegue ser um purista seguindo uma partitura e pode ir além para uma sonoridade improvisada,  percorrer todos os pontos entre um som e outro".

Holland ouviu Chris Potter pela primeira vez quando o saxofonista tinha 19 anos e estava tocando no Blue Note uma noite Chris recebeu o prêmio de melhor saxofonista tenor. "Eu estava em uma apresentação com Joe Hederson, relembra Holland. Mais tarde Dave gravou com Potter, DeJohnette e John Scofiel. "Eu estava comovido pela estrutura da sua composição e balanço, era muito apurado para um músico tão jovem e muito seguro.” E Potter já conhecia Eubanks da Mingus Big Band, a sintonia foi imediata. 

O baterista Nate Smith também era bem jovem quando Holland o conheceu durante uma visita a Universidade de Virginia em Richmond, onde Smith estudava. Depois tiveram um novo encontro no concerto em homenagem a Betty Carter. "Eu sempre precisei de músicos que realmente entrassem no diálogo musical uns com os outros, que realmente estivessem se ouvindo e que não subissem no palco tocando por si só. E, além de ouvir a todos Nate é um grande compositor na banda. Ele traz uma perspectiva bem particular da música, assim como Chris, que eu realmente admiro e aprecio, acho que seja por conta da geração deles".

SERVIÇO:

Data: 27 e 28 de novembro - terça e quarta-feira - 21h
Local: SESC Belenzinho – Teatro
Endereço: Rua: Padre Adelino, 1.000 - Belenzinho - Fone: (11) 2076-9700
Capacidade: 392 lugares (acesso para pessoas com deficiência)
Ingressos: R$ 32,00 – (inteira)  R$ 16,00 – (usuário inscrito no SESC e dependentes + 60 anos, professores da rede pública e estudantes com comprovante) R$ 8,00 – (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo no Sesc e dependentes)
Duração: 90 minutos 
Não recomendado para menores de 12 anos
ESTACIONAMENTO:
Para espetáculos com venda de ingressos:  R$ 6,00 (não matriculado); R$ 3,00 (matriculado no SESC - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo / usuário).


Produção Executiva São Paulo: Guria Arte & Cultura

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