quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Montreux Jazz Recife

Para quem acha que o carnaval do Recife é o maior festival ao ar livre e gratuito do Brasil - talvez do mundo inteiro - vem aí o Montreux Jazz Recife. Está sendo preparado para janeiro de 2012, na capital pernambucana, uma versão oficial de um dos mais famosos festivais de música do planeta.

Não que a versão local do Montreux vá ser maior que a do carnaval, seja em estrutura ou público. Mas certamente - mais até que a Feira Música Brasil, que aconteceu aqui ano passado e atraiu gente do mundo inteiro - será um festival que colocará o Recife numa vitrine bem especial para o mundo que consome e valoriza a música de qualidade, seja ela de raiz puramente jazzística, mais popular ou erudita. Irá ocupar dezenas de pontos da cidade. A proposta de trazer o festival é da empresária Yanê Montenegro. Para realizar o evento no Recife, Yanê se associa à Raio lazer, do produtor Maguila.

Ela conta que a ideia inicial dos produtores do evento era realizar o Montreux noRio de Janeiro, devido à vocação mundial da cidade para o turismo. Yanê conta que o próprio Alceu Valença (eles são casados e Alceu cantou vários anos na Noite Brasileira de Montreux) a incentivou a escolher o Recife. "Houve uma edição em São Paulo, nos anos 1980, que não atingiu as expectativas, por que o Montreux é cheio de particularidades, existe uma relação entre música e natureza na cidade, São Paulo é mais cosmopolita", coloca Yanê. Ela acha o público pernambucano mais aberto, interessado e compromissado com a música, o que favorece o festival acontecer aqui. "O Rio vive de oba oba, tudo acontece lá. Não sei se deixaríamos um legado no Rio, é mais fácil que isso ocorra no Recife", coloca.

Em Montreux, cidade pequena, o festival consegue se espalhar por todos os lugares, o que seria impraticável no Rio de Janeiro ou São Paulo. Por isso, no Recife, a ideia é ocupar o Bairro do Recife inteiro, com shows no Marco Zero, Praça do Arsenal da Marinha, Torre Malakoff, Terminal Marítimo, Armazém 14, além de pubs, bares, auditórios, o Teatro de Santa Isabel e o Centro de Convenções, em Olinda.

"Pernambuco tem a diversidade musical que Montreux prima, ele estão preocupados com representatividade da diversidade musical de todos os países, sem taxar de world music", diz Yanê. Em julho desse ano, durante a edição 2010 do Montreux, ela esteve na Suíça junto com os produtores Maguila e Lula Vieira - sócios da Raio Lazer. Apresentaram a proposta de fazer o festival no Recife, que foi aceita. Agora resta receber os produtores do evento de volta no Recife, o que acontecerá no próximo mês. "É mais fácil contaminar o Recife inteiro com o festival, que é o conceito original, por isso, a princípio, eles aceitaram. Agora eles vêm nos fazer uma visita em setembro, quando teremos algo mais elaborado, para visitar e avaliar os espaços que imaginamos", conta a produtora.

Enquanto que em Montreux o festival acontece durante duas semanas, no Recife serão quatro dias. A ideia é que os produtores na Suíça cuidem da grande internacionaldo evento, e a associação entre a MV Produções (empresa de Yanê) e a Raio Lazer faça a produção local. O jornalista carioca Júlio Moura e o músico Paulo Rafael farão a curadoria brasileira do Montreux Recife. Segundo Yanê, haverá espaço para muitas propostas, pois o festival irá ocupar vários palcos, durante quatro dias. Além disso, é possível montar um festival gastronômico, nos moldes de como acontece na Suíça. Os produtores imaginam que, dentro da grade dos shows pagos, 60% serão de atrações internacionais e 40% de artistas nacionais. A intenção não é lotar um mesmo lugar com milhares de pessoas. Talvez um show ou outro - nos palcos maiores - cheguem a atrair multidões. Mas a maior parte do evento seguirá os preceitos do original, prezando pela excelência musical de forma mais intimista. "Pernambuco é sofisticado, chegou o momento de mostrar isso para o mundo e para o Brasil", diz Yanê.

Fonte: http://www.musicnews.art.br/News.aspx?ID=31261
Por: Michelle Assumpção, publicado originalmente no Diário de Pernambuco.

Um comentário:

  1. Essa matéria foi escrita pela jornalista Michelle Assumpção, publicado originalmente no Diario de Pernambuco. Socilito o crédito imediato, sob pena de uso indevido da produção intelectual de outro profissional.

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